Brasil, o país da ginástica olímpica
Pedrox | 19 agosto 2008Nem tudo o que amarela é ouro e os ginastas brasileiros que há um ano douravam o Pan do Rio, desta vez amarelaram feio e não levaram medalha alguma. A amarelada só não foi mais feia que a piaba que o Brasil levou hoje da Argentina. Lamentando a seqüência de fracassos de nossos compatriotas em Pequim, republico mais um texto esportivo, este publicado em 19.07.2007.

Os jogos panamericanos Rio 2007 revelaram que o Brasil tem imenso potencial na ginástica olímpica. As medalhas de ouro de Diego Hypólito, Jade Barbosa e Mosiah Rodrigues, além das tantas outras de prata e bronze são conseqüência de um trabalho que começou com Luiza Parente, há 20 anos, e nos últimos tempos aumentou o fôlego a partir dos ótimos resultados internacionais de Daiane dos Santos e Daniele Hypólito.
Porém, enquanto o pavilhão nacional subia ao som de nosso hino e o desmunhecante Diego era consagrado como o maior medalhista olímpico do sexo masculino (!?) da história dos panamericanos, uma bandeira do Clube do Remo aparecia ao fundo do ginásio e chamava a atenção dos telespectadores. Isso só prova a “delicadeza” do torcedor azulino, que na ausência de um futebol de qualidade, precisa acompanhar a virilíssima ginástica masculina. Neste instante me surgiu a reflexão: E se o Brasil fosse o país da ginástica olímpica?
Nas ruas deste imenso país de extensões continentais não teríamos garotos chutando bolas de meias e tentando fazer gols em balizas improvisadas. Veríamos tablados demarcados com giz ou tijolo de construção e nesses quadriláteros observaríamos meninos e meninas fazendo exercícios de solo. Twists carpados, saltos mortais e flic flacs tornar-se-iam expressões corriqueiras no nosso linguajar. Seria símbolo de status ter aparelhos de ginástica em casa e as garotas mais cobiçadas iriam preferir os ginastas.
As camisas oficiais de clubes de futebol cederiam lugar aos collants de delegações internacionais, os homens usariam com orgulho o traje que o ginasta romeno usou nos jogos de Atenas, por exemplo. Os grupos de amigos ao invés de marcar aquele futebolzinho toda semana, combinam aquela ginástica olímpica marota numa das tantas arenas multiuso que as cidades teriam e o novo salto da Daiane ou o desempenho do Diego no final de semana seriam assuntos de mesa de bar em todas as rodinhas de bate papo.
Lembro quando em 1992, nas Olimpíadas de Barcelona, a seleção brasileira de vôlei masculino (de Tande, Giovani e Marcelo Negrão) ganhou a medalha de ouro. O futebol estava numa fase ruim, então a mídia massificou que a partir daquele momento o Brasil tornar-se-ia o “País do Voleibol”. Apesar da evolução do esporte e dos muitos títulos da equipe da era Bernardinho, a profecia não se concretizou e a virilidade do brasileiro manteve o futebol como seu esporte número 1. Espero que nosso povo continue viril para que o contexto caótico apresentado neste texto também não se concretize.
Agora dá licença que estão me chamando. É minha vez no salto sobre o cavalo.
























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